Espero pelo comboio. O relógio bate nas oito.
Aquele barco deu-me náuseas. É incrível como o simples facto de estar do outro lado do rio me faz sentir que até o Sol é outro.
Que café agradável. Algo em ti me traz serenidade à alma. Hoje observei tudo em ti, desde o facto de me chamares pelo meu nome até ao franzir das tuas sobrancelhas.
Podem acusar-me de precipitação, mas atrevo-me a dizer que és único.
Há pouco olhei em volta, e no meio de tanta gente que ia naquele barco, acabei também por me sentir única. Uns lêem jornais, outros dormem, outros conversam e quando chegam ao outro lado do rio desaparecem numa corrida desenfreada, desejosos de voltarem para casa.
E eu, olho em volta sem ter em conta as horas. O que eu detesto as horas!
Estava a desfrutar de um momento único: eu, o pôr-do-sol, a música que ouvia, o pensamento.
Pensei em não voltar para casa, em ir visitar a Di na esperança de tentar explicar-lhe o modo de como aquele café me soube bem.
Preferi tentar exprimir-me numa folha de jornal.
Ainda bem que te achei.
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