Tuesday, May 15, 2007

"O amor é um ponto de vista. Pode ser a minha escarpa ou o teu lençol amarrotado, um perfil de cereja ou uns olhos castanhos pousados sobre os joelhos de uma mulher-precipício.Pode ser um peixe encalhado numa paisagemou uma reticência desenfreadaà solta nas palavras.Pode até ser um barco a vapor,um tecto em segunda mãoou um poema inquebrável.Na minha opinião(porque o amor é um ponto de vista)o amor é uma casa com pantufas."

Monday, May 14, 2007


Os verdadeiros amigos coloridos :)
Espero pelo comboio. O relógio bate nas oito.

Aquele barco deu-me náuseas. É incrível como o simples facto de estar do outro lado do rio me faz sentir que até o Sol é outro.

Que café agradável. Algo em ti me traz serenidade à alma. Hoje observei tudo em ti, desde o facto de me chamares pelo meu nome até ao franzir das tuas sobrancelhas.

Podem acusar-me de precipitação, mas atrevo-me a dizer que és único.

Há pouco olhei em volta, e no meio de tanta gente que ia naquele barco, acabei também por me sentir única. Uns lêem jornais, outros dormem, outros conversam e quando chegam ao outro lado do rio desaparecem numa corrida desenfreada, desejosos de voltarem para casa.
E eu, olho em volta sem ter em conta as horas. O que eu detesto as horas!

Estava a desfrutar de um momento único: eu, o pôr-do-sol, a música que ouvia, o pensamento.
Pensei em não voltar para casa, em ir visitar a Di na esperança de tentar explicar-lhe o modo de como aquele café me soube bem.

Preferi tentar exprimir-me numa folha de jornal.
Ainda bem que te achei.
Doença. Era aquilo que eu tinha por ti. Daquelas que moem, moem e moem, que por mais que tomemos comprimidos, choremos, gritemos, não passa. Está dentro de nós. No meu coração. No teu. Talvez.
Não sei como, porque do porquê e do quando não me posso esquecer, libertei-me de ti.
Libertar. Palavra difícil. Significado ainda mais. Já não digo nem penso nada. Uma vez libertei-me. Ou não. Por isso mesmo é melhor deixar de opinar sobre as palavras, que para mim dizem uma coisa e para ti dizem outra.
Mas mais do que não saber o que irá ou não acontecer, sei aquilo que senti ontem, hoje, e espero sentir amanhã quando acordar, quando comer, quando respirar, quando sentir. Sentir aquilo que sou, que gosto mas que também posso não gostar. Aquela que se lhe apetecer não faz o mesmo caminho de sempre. Até posso afirmar que uma parte de mim morreu com o amor que guardo, ou não, por ti, mas a que nasceu… ou cresceu, é muito mais gira de levar comigo.
No fim de tudo, é a ti que te agradeço. Sem rancores. Pelas partes boas, menos boas, más, péssimas.
Tu és o motivo daquilo que eu sou hoje e por isso, amo-te.

[29.01.2007]